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Utilizando apenas sua atividade cerebral, Idoya – uma macaca de 5,5 quilos e 80 centímetros – fez com que um robô humanóide, de 91 quilos e 1,5 metro, pudesse caminhar. Ela é da Carolina do Norte, e o robô do Japão. Essa foi a primeira vez que sinais emitidos pelo cérebro foram utilizados para estimular o movimento de um robô.
Durante as preparações para o experimento, Idoya foi treinada para andar em uma esteira. Ela se agarrou nas barras com suas mãos e ganhou petiscos, enquanto caminhava com distintas velocidades, para trás e para frente, por 15 minutos ao dia, três vezes por semana, durante dois meses.
Enquanto isso, eletrodos implantados da região cerebral da macaca que controla movimentos das pernas, registram a atividade de neurônios que emitiam sinais enquanto ela andava. Alguns dos neurônios tornaram-se ativos enquanto seu tornozelo, joelho e quadril se moviam. Outros responderam quando os pés dela tocaram o chão. E alguns emitiram sinais em antecipação aos movimentos da macaca.
Para obter um detalhado modelo do movimento das pernas de Idoya, pesquisadores pintaram seu tornozelo, joelho e bacia com uma tinta fluorescente, usando uma câmera especial de alta velocidade para capturar seus movimentos no vídeo.
O vídeo e a atividade cerebral foram então combinados e transformados em um formato de possível leitura por computadores. Esse formato pode prever, com 90% de precisão, todas as permutações do movimento das pernas de Idoya, três ou quatro segundos antes do movimento acontecer.
No dia da experiência, Idoya subiu na esteira e começou a caminhar com eletrodos implantados em seu cérebro. O padrão de sua caminhada e seus sinais cerebrais foram coletados e transmitidos através de um link de internet de alta velocidade para um robô – conhecido como CB -, em Kyoto, no Japão.
Ela podia ver a parte anterior das pernas de CB em uma enorme tela à sua frente. A macaca recebia “prêmios” quando fazia o robô se mexer com o movimento de suas pernas.
À medida que Idoya se mexia, CB caminhava exatamente no mesmo ritmo. Registros do cérebro do animal revelaram que seus neurônios se exercitavam cada vez que ela dava um passo, e cada vez que o robô também o fazia (leia o artigo sobre neurônios espelho).
Os sinais que o cérebro de Idoya enviou para o robô, e o vídeo do robô enviado de volta à macaca, foram restabelecidos em menos de meio segundo. A troca de sinais foi tão rápida que houve uma combinação simultânea dos movimentos do robô com a experiência do animal.
Após uma hora de experiência, pesquisadores fizeram um truque com Idoya; eles pararam a esteira, ansiosos para ver o que a macaca faria.
“Seus olhos estavam fixos nas pernas do robô”, declarou o Dr. Miguel A.L. Nicolelis, cientista de neurologia da Universidade de Duke, e chefe do laboratório que desenvolveu a experiência. .
Ela recebeu várias guloseimas como prêmio. O robô continuou a andar. E pesquisadores, por sua vez, estavam triunfantes com o resultado.
Quando os sinais do cérebro de Idoya estimularam o ato de caminhar no robô, alguns dos neurônios em seu cérebro controlavam suas próprias pernas, enquanto outros controlavam as do robô. Após aproximadamente uma hora de prática e reações visuais, a ultima série de neurônios basicamente entrou em sintonia com as pernas do robô. Após a parada da esteira, ela ainda era capaz de fazer com que CB se movimentasse durante três minutos.
A visão é um poderoso e dominante sinal no cérebro, disse Nicolelis. O córtex motor do animal, local onde eletrodos foram implantados, captou o detalhamento das pernas do robô, como se elas pertencessem ao próprio corpo de Idoya.
No futuro próximo, Idoya e outros macacos bípedes receberão mais feedback de CB na forma de micro-estímulos para os neurônios que especializam-se na sensação de tato relacionado às pernas e aos pés. Quando os pés de CB tocarem o solo, sensores detectarão a pressão e calcularão o equilíbrio. Nicolelis diz que quando tal informação for diretamente transmitida aos cérebros dos macacos, estes terão a forte impressão de que são capazes de sentir os pés de CB tocando o chão.
leia o artigo completo aqui (em inglês)
Extraído de: New York Times, 15 de Janeiro, 2008
Fonte:
Pesquisadores: Universidade de Duke

Escrito por Marcelo Côrtes 
Escrito por Marcelo Côrtes 
Escrito por Marcelo Côrtes